Trabalho de Fonte é o nome dado a uma série de atividades realizadas no início do processo de ensaio com o objetivo de entrar em contato (tanto intelectualmente como emocionalmente, tanto individualmente como coletivamente) com a fonte da qual você está trabalhando. É o tempo ocupado (antes que você comece a ensaiar qualquer coisa que a platéia possa de fato testemunhar no palco) para entrar de corpo e alma no universo, nas questões, no coração do seu material. O Trabalho de Fonte pode incluir, mas não é limitado ao trabalho feito no treinamento de Viewpoints e Composição.
O Trabalho de Fonte pode assumir muitas formas. Pode incluir apresentações ou relatórios fornecidos por atores com base em assuntos especificados, aprendizado de danças de época, construção de uma instalação artística de grupo e, é claro, Composição. Trabalho de Fonte pode ser qualquer coisa concebida pela imaginação desde que leve a companhia para mais perto do material e do investimento feito nele.
O Trabalho de Fonte abre a possibilidade de comunicação invisível e silenciosa. O Trabalho de Fonte é uma forma de acender um fogo de maneira tal que todos possam compartilhar dele. Não tem nada a ver com encenação. Tampouco sobre a definição do produto final. É sobre dedicar tempo no início do processo (às vezes apenas um dia ou dois, às vezes um mês ou mais) para acordar a pergunta que está dentro da peça de uma forma verdadeira e pessoal para todos os envolvidos.
O Trabalho de Fonte pede à companhia inteira para se envolver de corpo e alma no processo, em vez de assumir um papel prescrito ou passivo no processo. Ele pede a cada pessoa que contribua, que crie e que cuide, em vez de esperar para ouvir do que se trata a peça ou sobre qual deve ser seu posicionamento em cena.
Um diretor freqüentemente realiza um Trabalho de Fonte por sua própria conta antes dos ensaios iniciarem. Anne lê toneladas de livros e ouve dúzias de novos CDs. Tina recorta fotografias e as fixa nas paredes em sua volta. Outros diretores talvez façam uma visita à biblioteca, façam excursões de pesquisa, falem com pessoas, conduzam qualquer tipo de pesquisa ou preparação que possam aumentar as informações sobre o trabalho. Então, quando um diretor chega ao ensaio no primeiro dia, ele freqüentemente está semanas ou meses à frente do resto da companhia em sua obsessão pelo material. O Trabalho de Fonte é usado para prover tempo e espaço que todos os colaboradores devem preencher com seu próprio conhecimento, interesses, sonhos e reações ao material. Pense nisso desta forma: o diretor pegou uma doença, e de alguma forma nesses momentos iniciais e críticos do processo, ele precisa fazer com que a doença torne-se contagiosa. O Trabalho de Fonte espalha a doença. O Trabalho de Fonte é um convite à obsessão.
A fonte é qualquer coisa que seja a origem para o trabalho em mãos. O Trabalho de Fonte é entrar em contato com este impulso original por trás do trabalho, assim como o trabalho em si, por exemplo, o texto, sua relevância, sua época, seu autor, ou o mundo físico e áureo da produção. A fonte de uma peça de teatro pode ser tão intangível quanto uma sensação ou tão concreta quanto um clipping de jornal ou objeto encontrado. O teatro pode ser concebido tendo qualquer coisa como sua fonte. O Trabalho de Fonte é o tempo que colocamos de lado para beber da fonte, para responder a ela como um grupo, e para causar e identificar uma química explosiva entre ela e nós.
Trabalho de Fonte (Source Work), by Anne Bogart e Tina Landau
(traduzido do Capítulo 13 - Composição ao ensaiar uma peça, do livro O Livro dos Viewpoints, de Anne Bogart e Tina Landau. Theatre Communications Group, Nova York, 2005. Páginas 163 a 165.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário